O plano ousado da Estônia para construir um país digital em Blockchain

A iniciativa e-Residency da Estonia é apenas o começo da era do Blockchain.

A Estônia, localizada no Mar Báltico, no norte da Europa, é um país pequeno, que abriga apenas 1,3 milhão de habitantes. Mas seu governo anunciou um novo plano no final de 2017 que pode torná-lo uma das maiores nações online do mundo. O plano permite que qualquer pessoa com acesso à internet torne-se um residente da Estônia, graças à blockchain.

“Junte-se à nova nação digital” é a mensagem de boas-vindas no site e-Residency da República da Estônia, mostrando estatísticas de que mais de 27 mil pessoas de 143 países se inscreveram para adquirir a cidadania digital.

“Apesar da grande negatividade das notícias no momento, a tendência geral parece ser positiva para as oportunidades que aguardam nossa geração e as próximas”, disse Arnaud Castaignet, diretor de relações públicas da e-Residency.

O impacto econômico é mais óbvio até agora. Já foram estabelecidas 4,272 empresas por e-residentes que procuram evitar a burocracia e os impostos que seus países de origem poderiam impor ao funcionamento de uma empresa.

“A internet e outros avanços na tecnologia digital estão permitindo que mais pessoas vivam e trabalhem globalmente com maior liberdade, independente de qualquer local fixo”, acrescenta. “Como consequência, governos como o nosso na Estônia estão evoluindo rapidamente em países digitais sem fronteiras, a fim de melhor servir e se beneficiar do surgimento desses novos cidadãos do mundo, porque devemos responder às suas mudanças de oportunidades e hábitos”.

A declaração oficial da Estônia:

“Enquanto alguns países expulsam as pessoas, a Estônia traz elas para dentro. Que tipo de problemas a e-Residency pode resolver para um empreendedor? Digamos que você seja um escritor freelancer na Ucrânia e precise receber pagamentos internacionais. A e-Residency permite isso. Ou talvez você tenha uma startup na Índia e precise de investimento de outros países para ajudar a escalar internacionalmente? e-Residency permite.”

A e-Residency revelou seus planos para um sistema de criptomoedas e tokens em dezembro, um movimento que os apoiadores esperam quebrar barreiras e liderar uma nova maneira para as pessoas interagirem. A iniciativa e-Residency, que permite que qualquer pessoa no mundo se torne um residente virtual, poderia usar em breve as tecnologias que tornaram o bitcoin e outras criptografia um sucesso – o que poderia redefinir a ideia de fronteiras nacionais.

Isso chega em um momento em que o mundo está entusiasmado com o bitcoin. Desde que o misterioso Satoshi Nakamoto publicou o whitepaper de 2008 descrevendo a criptomoeda, os desenvolvedores idealizaram maneiras engenhosas de alavancar o blockchain, um livro-razão público que mantém um registro seguro das transações.

Isso inclui a Ethereum, que usa contratos inteligentes para automatizar transações financeiras complexas e Everipedia, que usa blockchain para criar uma enciclopédia descentralizada. As propostas da estcoin, construídas sobre o trabalho da equipe da e-Residency, são os passos mais recentes nesta tendência.

Veja uma explicação da e-Residency abaixo:

Estcoin: a criptomoeda da Estônia

Kaspar Korjus, diretor-gerente da e-Residency, primeiro descreveu estcoins em uma publicação no Medium em agosto de 2017. Desde então, ele criou um grupo de trabalho para discutir os próximos passos com o Ministério das Finanças, conselheiros externos, o setor privado, membros do Parlamento, membros do conselho da e-Residency, representantes do Banco da Estônia, escritórios de advocacia, e membros da equipe da e-Residency.

Em uma publicação recente, Korjus delineou três possíveis idéias da estcoin:

  1. Comunidade estcoin: isso recompensaria os e-Residents por trazerem novos membros para a plataforma ou por contribuírem de forma significativa. A iniciativa tem sido um grande sucesso desde o lançamento há três anos, com quase 30 mil candidatos, mas um esquema de recompensa poderia ampliá-lo ainda mais. Os tokens seriam livremente negociáveis ​​nas exchanges tradicionais, recompensando as pessoas por sua parte na comunidade.
  2. Identidade estcoin: esta proposta é menos sobre recompensas econômicas para membros da comunidade e mais sobre como usar a blockchain para verificar a identidade de um usuário. Isso reduziria os custos de verificação e economizaria o dinheiro do contribuinte. Os membros receberiam um conjunto de tokens pessoais, e eles podem comprar mais a um custo que cobre a manutenção da rede. À medida que a rede cresce, o custo das transações diminuirá e o preço de um token deve diminuir. Os tokens não poderão ser trocados ​​porque são pessoais para o usuário.
  3. Euro estcoin: Ao invés de um token que flutua em valor, este estcoin fixaria o valor de um token em um euro, com o governo comprometido a transferir entre os dois. As transações entre os membros da comunidade podem funcionar na blockchain, o que significa que os cidadãos podem comprar estcoins, enviar tokens uns aos outros e facilmente enviar dinheiro para amigos como presente, por exemplo. Essa ideia visa “combinar algumas das vantagens descentralizadas das criptomoedas com a estabilidade e a confiança da moeda fiduciária e, em seguida, limitar seu uso na comunidade de e-Residents”.

“Estamos vivendo em um período muito breve na história humana em que a população mundial está confinada em suas oportunidades pelos limites geopolíticos”, disse Korjus na publicação. “Por enquanto, uma nação nos é atribuída no nascimento, e normalmente permanece conosco pela vida. Essa alocação aleatória da população mundial determina nossas oportunidades de vida mais do que quase qualquer outro fator isolado. No entanto, a mudança está chegando “.

É importante notar que nenhuma das propostas visa substituir a moeda nacional da Estônia, o euro, que é utilizado por 19 dos 28 Estados membros da União Europeia. A equipe diz que as três propostas podem ser implementadas sem quebrar as regras do Banco Central Europeu contra a manutenção de moedas nacionais paralelas.

“[Presidente do Banco Central Europeu] Mario Draghi disse que existe apenas uma moeda na Área do Euro e concordamos totalmente”, diz Castaignet. “A Estônia está totalmente comprometida com isso”.

Não está claro quando essas propostas serão lançadas. A equipe irá debater as três opções e continuará explorando sua viabilidade.

“Os cidadãos estão se tornando digitais e globais”, diz Castaignet. “Se o estado não acompanhar, perderá a atenção de seus cidadãos e ficará obsoleto. Ao mesmo tempo, é também o papel dos governos fornecer um ambiente e uma estrutura que possam ser confiáveis e incentivadoras.

Para atingir esse objetivo e para desbloquear poderosos impulsionadores do crescimento econômico, como a criptoeconomia, é necessário cooperação: entre governos e setor privado, entre governos e comunidade de criptomoedas e também entre administração e hackers. Então, com essa filosofia, a Estônia continuará a abraçar novas inovações revolucionárias, não a lutar contra elas “.

 

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