As Criptomoedas e as Exchanges Centralizadas.

Por Aline Guerra,

Atualmente muitos que imergiram no mundo das altcoins utilizam-se de exchanges centralizadas – Binance, Bittrex, Bitmex, Bitfinex e outras – alguns desses não tem a real ciência do perigo de se confiar seus investimentos à terceiros.

O sistema de moedas digitais foi originalmente planejado para ser completamente descentralizado, como citado no Paper do Bitcoin “Um sistema de pagamento ponto a ponto”, ou seja, sem a participação de qualquer banco de dados centralizado, somente a participação de quem emite o dinheiro, de quem recebe e do minerador, esse último que tem o papel de inserir através de um consenso  as informações na Blockchain (resumindo de forma simplista).

Em termos de utilização de moedas virtuais, cada pessoa seria seu próprio banco, possuindo uma chave pública – a qual pode fornecer a qualquer pessoa para receber valores -, e uma chave privada – que dá permissão para se realizar qualquer transação naquela carteira, que está na Blockchain. Quando uma pessoa transfere valores para uma exchange e os deixa nesse endereço, por mais que o servidor da exchange tenha dispositivos e procedimentos de segurança, torna o montante dessa pessoa vulnerável à ataques. Em outras palavras, ao transferir a cautela de seus valores à terceiros está invertendo o processo, centralizando os dados em um único servidor, que se for invadido não terá a proteção de um sistema descentralizado que protege a integridade dos dados por meio de um consenso. O banco de dados descentralizado da Blockchain é uma cadeia de blocos de informações (transações) inalterável e cronológico, se houver tentativa de alteração em alguma transação, os outros nós da cadeia rejeitarão a discrepância, mantendo a integralidade e continuidade do histórico de dados.

Estatisticamente quase todas as exchanges já sofreram grandes ataques em seu banco de dados. O caso mais famoso foi o roubo da MTGox, no ano de 2013, onde foram tomados 388 milhões de dólares em Bitcoins, consequentemente houve uma queda de aproximadamente 73% no valor de mercado do Bitcoin na época.

Mudar a concepção de dinheiro e seu sistema não é nada fácil. No sistema das criptomoedas não é possível reclamar por valores perdidos no caso de informações mal inseridas, por exemplo. Não há um órgão central, responsável pela Blockchain.

Se teoricamente os bancos deixariam de existir, havendo uma migração em massa para o sistema das altcoins, teríamos uma revolução econômica e política, por isso essa discussão de centralização de dados e dinheiro é muito mais abrangente do que imaginamos e afeta o poder dos grandes Bancos e Governos.

Qual a alternativa?

Temos como opção as exchanges descentralizadas, que mantêm os valores e chaves privadas sob responsabilidade de seus reais donos. Esses sites integram-se às carteiras dos cliente para viabilizar as transações, e tem procedimentos um pouco diferentes das exchanges centralizadas. Não exigem cadastro, bastando a transferência dos fundos para o marketing place para realizar operações de compra e venda. Depois das trocas, os fundos devem ser retomados à carteira,  sendo que todas as movimentações exigem autorização dos utilizadores para efetivar-se.

Poucos traders utilizam esses sites de trocas que geralmente negociam tokens ERC-20 (Plataforma Ethereum), por isso ainda representam um volume pequeno de negociações no mercado.

Por esse motivo, parece que o próprio mercado cripto precisa retornar aos seus princípios fundamentais. Um ponto positivo é que muitos projetos novos dedicam-se a criar market places descentralizados, o que incentiva a cultura da descentralização, além de não exigir uma proteção tão complexa quanto a que deve existir nos sites de troca mais utilizados atualmente.

Finalmente, como solução percebe-se que ainda temos que sofrer um longo processo de transição.  O sistema descentralizado, por suas características e tecnologia substitui o sistema centralizado,  garantindo a integridade e a confiança das transições, transferindo a cautela dos valores para os próprios possuidores, eliminando intermediários e o risco de roubos durante as transações.

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.