ICOs, definição, histórico, riscos e oportunidades.

Por Aline Guerra,

Pequena prévia histórica e dados estatísticos:

Os chamados Initial Coin Offering, ou Ofertas Iniciais de uma moeda são como arrecadações coletivas (Crownding funding), que podem objetivar a aquisição de serviços, produtos ou até partes de uma empresa.

Podem ser chamados também de Token Sales ou Crowdsales, que angariam recursos para startups. Segundo Chohan (2017, pg. 2) ” ICOs vendem criptografia ou podem vender um direito de propriedade ou royalties de um projeto”.

Como por exemplo, imagine que um grupo de desenvolvedores possui um projeto muito promissor, como por exemplo,  desenvolver um software que mecanismos que combatam ataques DDOs em servidores (detalhe, ja tivemos uma ICO dessas em 2018). Porém, esse time não possui recursos para financiar os custos para alcançar tal objetivo, por isso, disponibiliza a possibilidade de investidores poderem disponibilizar recursos financeiros, e em troca, receberem tokens – pequenas unidades que poderão ser trocadas pelos serviços da empresa em questão, ou também ter a possibilidade de serem negociados em exchanges de criptomoedas, se assim houver a possibilidade dessa opção no projeto e na programação desse.

(segundo a especificidade de cada ICO)

Essa modalidade tem demonstrado uma forma fácil e rápida de se obter dinheiro, em média mais de 50 ICOs tem sido realizadas por mês.

Em se tratando de criptomoedas, a primeira ICO que a ser realizada foi da altcoin Mastercoin em 2013 (CHOHAN, 2017), que arrecadou 2,3 milhões de dólares. Posteriormente, uma das mais relevantes foi o lançamento do token Ethereum, no ano de 2014. Sua arrecadação atingiu aproximadamente 20 milhões de dólares. Cada token valia na ocasião aproximadamente $1,64 (inicio da contagem na CoinDesk), atualmente tem o valor aproximado de $708,00 dólares, representando esse grande aumento em seu valor de mercado.

Além disso, o lançamento da plataforma Ethereum facilitou o processo de tokenização, que possibilita a distribuição de tokens dos projetos, por meio de sua Plataforma e de seu código de programação ERC-20. Grande parte dos tokens atuais são dessa plataforma. Constitui-se em uma rede descentralizada com uma plataforma própria que utiliza Contratos Inteligentes.

Para compreender melhor a evolução das ICOs, vamos apresentar os dados estatísticos abaixo, retirados do site da CoinDesk (2018):

O gráfico abaixo que correlaciona os anos em que ICOs foram realizadas e tamanho de arrecadações (Hardcaps) alcançados, percebe-se que a quantidade de dinheiro aumentou com o decorrer do tempo,. Em 2017 teve-se a ICOs da empresa Tezos, com $232 milhões de dólares.

 

 

 

 

Neste outro gráfico, tem-se que o no ano de 2017 as ICOs arrecadaram mais de 5 bilhões de dólares, sendo que em 2018 já temos mais de metade arrecadado no ano passado no primeiro trimestre de 2018.

 

Outra comparação é o gráfico acumulativo, onde está demonstrado que o número de ICOs tem aumentado em uma escala exponencial.

 

Fonte dos dados e gráficos: CoinDesk https://www.coindesk.com/ico-tracker/

Riscos

As ICOs, assim como as IPOs dos mercados tradicionais oferecem uma oportunidade incrível de se investir em um projeto que está em seu início, e que se for realmente promissor pode dar grande retorno ao investidor, e aí que está o perigo.

Segundo, Vieira (2017), quanto maior o risco, maior a possibilidade de lucro, mas também maior a possibilidade de prejuízo.

Segundo Chohan (2017, pg.4) 10% das ICOs que aconteceram no mercado de criptomoedas foram phishing, Ponz ou scam, ou seja, fraudes que arrecadaram grandes montantes de dinheiro e desapareceram ou até mesmo não continuaram com andamento do projeto como prometido no projeto inicial, este que atraiu os pagantes dos tokens.

Existe uma especulação muito grande em torno dessas ofertas. Projetos que arrecadam milhões, sem regulamentação específica, entram no mercado das exchanges, atingem por diversas vezes altos preços e depois caem em total declínio. Por esse motivo, diversos países tem tomado providências em relação à essas situações.

Em se tratando dos Estados Unidos, por exemplo, a SEC (Securities and Exchange Commission) proibiu temporariamente que as ICOs sejam ofertadas a cidadãos americanos.

A China baniu as ICOs em setembro de 2017.

No Reino Unido, A Autoridade de Conduta Financeira também advertiu que as ICOs são de alto risco e especulativo de investimentos, e em alguns casos são fraudes, que por diversas muitas vezes não oferecem proteções para os investidores.

Em contrapartida, as ICOs mais atuais e aparentemente mais compromissadas com seus investidores tem exigido procedimentos de identificação para a identificação dos contribuintes, chamados de procedimentos KNC – Know Your Customer, ou Conheça Seu Cliente, que exigem documentações e origens do dinheiro com a finalidade de combater fraudes.

Diversas providências tem sido tomadas pelo mundo, cada governo a sua maneira. Como papel regulador e controlador tem agido em resposta à essa onda especulativa, mesmo que para muitos casos não se aplique o enquadramento do tokens como valores mobiliários.

Ainda citando o artigo de Chohan (2017), na Nova Zelândia, a Autoridade de Mercados Financeiros (FMA) divulgou diretrizes sobre o atual ambiente regulatório em relação às ICOs (outubro de 2017). Em Gibraltar, o governo publicou regulamento que estabelece um quadro para empresas de DLT (Distributed Ledger Technology) reguladas que englobaria ICOs e sujeitá-los a controles e padrões financeiros, para entrar em vigor em 1 de janeiro de 2018.

Tendo em vista as informações acima, é necessário esclarecer as classificações de tokens, mesmo que tais classificações possam não abranger alguns projetos que podem se enquadrar em um ou mais tipos apresentados.

Utility Token: Os tokens de utilidade, que também podem ser chamados de moedas de aplicativos ou tokens de aplicativos, oferecem aos usuários acesso a um produto ou serviço.

Por exemplo, a Filecoin – que criou um projeto de ICO- que arrecadou US $ 257 milhões – oferece um serviço descentralizado de armazenamento em nuvem que aproveitará o espaço no disco rígido do computador não utilizado.

Security Token: É uma classificação ampla que se refere a qualquer tipo de ativo  que pode ser negociável. Através de ICOs, os investidores têm acesso a uma ampla variedade de títulos, que vão desde moedas resgatáveis ​​para metais preciosos até tokens respaldados por imóveis. Esse tipo se enquadra em valor mobiliário descrita na resolução da CVM, no Brasil.

Cuidados

É claro que bem se conhece as características típicas dos mercados cripto: alta volatilidade, especulação, manipulação de preços por grandes investidores, mas no caso das ICOs é necessário tomar cuidados ainda mais apurados e que exigem dedicação dos investidores para diminuir as chances de golpes e prejuízos.

Dentre as providências, podemos citar algumas: análise do Whitepaper, Roadmap, time de desenvolvedores e membros que compõe a empresa, leitura de textos no Bitcoin Talk e redes sociais.

Em primeiro lugar, a clássica análise do documento que geralmente define os objetivos, meios empregados, problemas a serem resolvidos pelo token ou criptomoeda que será lançada – o WhitePaper. Sim, essa leitura é o primeiro passo em busca de investigar no que está se envolvendo. Se a ICO não tiver isso, nem compre.

Prosseguindo, temos a programação do projeto, chamado de Roadmap, onde a empresa detentora dos tokens ou moedas a serem lançados demonstram cada objetivo de desenvolvimento e em que tempo será entregue.

Por último e não menos importante, conhecer a equipe desenvolvedora e que está trabalhando no projeto, se possuem credibilidade no mercado, verificando os currículos no Linkedin, por exemplo.

Diversos sites podem ser consultados para se verificar a vericidade e a solidez do projeto e da empresa envolvida, como por exemplo o site da Coin Schedule https://www.coinschedule.com/, que é um repositório de ICOs que serão lançadas.

Oportunidades

Primeiramente tem que se ter em mente que as oportunidades são buscadas onde as necessidades de mercado serão satisfeitas. Não faz sentido adquirir tokens de uma empresa que aparentemente lança projetos que já estão no mercado, ainda mais se não inovar.

Para buscar, pode-se utilizar diversos sites que divulgam tais informações, como por exemplo http://startupmanagement.org/2017/03/13/the-ultimate-list-of-ico-resources-18-websites-that-track-initial-cryptocurrency-offerings/

Conclusão

Antes de aventurar nessa modalidade de investimentos é preciso estudar o gerenciamento de riscos, estipular metas e ter em mente o que atualmente é uma das modalidade mais arriscadas de aplicação de capital, ou seja, estar ciente e colocar valores que se está disposto a perder.

Conjuntamente é necessário se apoiar na pesquisa e na análise fundamentalista da empresa, tomando documentos e informações, sabendo que ainda sim não há garantia de retorno do investimento.

Referências

Chohan, Usman, Initial Coin Offerings (ICOs): Risks, Regulation, and Accountability (November 30, 2017). Discussion Paper Series: Notes on the 21st Century. Available at SSRN: https://ssrn.com/abstract=3080098 or http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.3080098

Company Halts ICO After SEC Raises Registration Concerns”. SEC. Retrieved 2017-12-15.

Vieira, Dalton. Stop Loss – Saiba como limitar o prejuízo de uma operação. http://daltonvieira.com/

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