fbpx

Safiri acredita que 2019 terá mais regulamentação para setor cripto.

mm
criptomoedas safiri felix

O Mercado de criptomoedas viveu em 2018 uma realidade muito diferente daquela que todos do setor imaginavam. A tendência de baixa persistiu durante todo o ano. O cenário foi visto por analistas como uma “correção” do mercado, depois do pico de dezembro de 2017, quando o Bitcoin beirou os 20 mil dólares.

Safiri Felix, desenvolvedor de negócios e investidor de criptomoedas, viu diante dos olhos as reações do mercado. Durante todas essas mudanças, ele trabalhava como desenvolvedor da Consensys, uma das maiores empresas de tecnologia de software especializado em blockchain. A companhia, fundada por Joseph Lubin, tem sede em Nova York e no fim do ano, fez uma readequação que pegou muita gente de surpresa.

No dia 06 de dezembro, o INFOCHAIN noticiou, em primeira mão, que a Consensys estava cortando 13% de todo quadro de funcionários, incluindo toda a representação brasileira. A notícia foi divulgada por meio de telefonemas aos funcionários que estavam no Stand da empresa, que participava do evento La Bit Conf no Chile. Todos foram embora e o stand ficou vazio. Fontes internas acreditam que o corte teria chegado a 40% da empresa.

Um e-mail da empresa teria vazado com o alerta de que se o Ether caísse para menos de 100 dólares, a companhia iria cortar mão de obra. O Ethereum chegou a ser cotado no dia das demissões a US$ 97,84. Relembrar essa história é importante para contextualizar que o mercado de criptomoedas está passando por uma momento de readequações. E só grandes players devem resistir, na opinião de Safiri.

A Consensys não foi a única a cortar funcionários. O INFOCHAIN noticiou, no começo deste mês, que a Bitmain deve fechar o escritório em São Paulo. O escritório da Bitmain na capital paulista é responsável por toda a operação da América Latina. Porém, mesmo com o fechamento do escritório, a empresa manterá operações no continente por meio do head da América Latina, que permanece na companhia.

A sede regional em São Paulo tinha sido inaugurada no segundo semestre de 2018, mas não resistiu sequer 6 meses, diante da forte retração da criptoeconomia. Depois de fechar suas operações em Israel, em dezembro, relatórios indicavam que a Bitmain estaria se preparando para demitir até a metade de sua força de trabalho de 2.500 pessoas.

Também em dezembro, a gigante japonesa GMO Group anunciou que estava deixando o setor de hardware de mineração de Bitcoin. Anunciou, ainda, que não iria mais desenvolver, fabricar ou vender mineradores.

Sem poder falar sobre o episódio do corte de funcionários, por questão de contrato com a empresa, Safiri analisou o atual mercado. Ele disse que o que aconteceu com o mercado “é o tipo de fenômeno que costuma se repetir em todo mercado que cresce muito rápido. Existiu um excesso de euforia em relação aos resultados de curto prazo do mercado e isso acabou incentivando com que muita gente entrasse, muitas vezes, sem fazer o real dimensionamento do risco envolvido.”

E completou: “E aí, num momento onde a demanda caiu drasticamente e você tinha um excesso de oferta de opções para operar e muita dificuldade de você capturar clientes que já estavam em outras plataformas, era natural que esse processo de rearranjo acabasse acontecendo.”

Safiri disse, ainda, que muitas empresas devem continuar fechando as portas em 2019, um ano que será de ajustes. Sobre as regulamentações, Safiri falou a sua opinião sobre quando o mercado se sentirá mais seguro e embasado em regras claras que protejam as empresas critpo e os investidores.

Leia a entrevista a seguir e assista ao bate-papo completo no link do canal do INFOCHAIN no Youtube, no final da página.

INFOCHAIN: Como avalia o mercado de criptomoedas no Brasil, hoje em dia. Muitas empresas fecharam, saíram do país, inclusive a que você trabalhava. Como você avalia isso?

SAFIRI FELIX: É um ajuste em relação às expectativas que foram criadas, principalmente no segundo semestre de 2017, com o encontro com a realidade. O mercado como um todo passou por uma série de dificuldades, ao longo de 12018. E eu acho que no Brasil existiu um erro de muito pouca diferenciação entre os modelos de negócio. E aí, naquele momento onde a gente viu uma queda drástica da demanda e até uma nova configuração no funcionamento do mercado, com o crescimento dos mercados de balcão, de outros modelos de negócio, muita gente tava indo pelo mesmo caminho, que era montar mais uma corretora pra tentar surfar aquela onda que aconteceu em 2017. É um processo natural, que em algum momento precisaria acontecer. E o que talvez tenha surpreendido muita gente tenha sido a dimensão deste ajuste, né?

INFOCHAIN: Você avalia esse ajuste como um erro das empresas em avaliar o mercado brasileiro ou foi realmente algo que as empresas não esperavam, ninguém esperava, que foi uma adequação do mercado, no mundo inteiro, das criptomoedas?

SAFIRI FELIX: O que aconteceu agora não foi novo, né? É o tipo de fenômeno que costuma se repetir em todo mercado que cresce muito rápido. Existiu um excesso de euforia em relação aos resultados de curto prazo do mercado e isso acabou incentivando com que muita gente entrasse, muitas vezes, sem fazer o real dimensionamento do risco envolvido. E aí, num momento onde a demanda caiu drasticamente e você tinha um excesso de oferta de opções para operar e muita dificuldade de você capturar clientes que já estavam em outras plataformas, era natural que esse processo de rearranjo acabasse acontecendo.

INFOCHAIN: Qual sua expectativa para o mercado daqui pra frente? Existem bons olhos para o mercado cripto no Brasil?

SAFIRI FELIX: Sem dúvida. Essa consolidação tende a se intensificar em 2019. Muito provavelmente a gente deve ver ai, alguns processos de fusão e aquisição acontecendo e os players mais maduros e capitalizados tendem a ter uma vida mais longa do que quem entrou no final do ciclo.

INFOCHAIN: Isso acontece em todo mercado quando existe uma crise, os menores players acabam sendo absorvidos por outros grandes players. Isso vai acontecer aqui também? Muitas empresas vão continuar fechando ainda até se estabelecer?

SAFIRI FELIX: Eu acredito que sim, mas eu acho que no mercado de cripto, como um mercado muito novo, o tamanho não é tão significativo como costuma ser em outras indústrias. Eu acho que é mais a capacidade de você gerar diferenciais em torno do seu modelo de negócio, que na minha opinião foi uma das principais falhas de quem entrou no mercado mais recentemente. As ofertas eram basicamente as mesmas com o diferencial de você ter que operar num book com menos liquidez, não fazia sentido. Era uma oferta de valor que não se sustentava. Eu acredito que a gente tem espaço pra ter no Brasil pelo menos de 3 a 5 plataformas mais robustas que tendem a concentrar boa parte da liquidez e ai, naturalmente, capturar a maior parte do valor gerado no mercado.

INFOCHAIN: Você falou dessas diferenciações, do diferencial que cada empresa tem que ter pra se manter no mercado hoje em dia no Brasil. Cite alguns exemplos dessa diferenciação.

SAFIRI FELIX: Eu diria que mais de 90% de quem tá no mercado hoje ainda tá em modelo de negócio que eu chamo de blockchain 1.0, aquela fase de 2013/2015, muito focado na questão do trading e com pouquíssimos diferenciais. As plataformas DO Brasil, se você olhar do ponto de vista de funcionabilidade, elas tem muito menos recursos do que as plataformas de padrão internacional. A gente tem uma outra questão, também, que são as restrições regulatórias que impedem que a gente tenha ferramenta de alavancagem, por exemplo, que é o que sustenta boa parte das plataformas que negociam volumes maiores. E, além disso, a gente tem também uma questão cultural. O brasileiro entrou nisso no fim de 2017, na euforia, muita gente sem se atentar ao devido controle de risco… E essa pessoa tá machucada, essa pessoa perdeu dinheiro ou tá assustada, eventualmente segurando a posição para voltar a operar. Então, é natural que a gente não cosiga ter o mesmo fluxo de clientes que a gente teve em 2017, quando o mercado tava em alta, né?

INFOCHAIN: É possível reconquistar, recapturar essa pessoa que teve prejuízo, diante dessa queda de 2018?

SAFIRI FELIX: Na minha opinião, o caminho é a educação, né? Tentar fornecer para esse usuário, elementos para que ele continue no mercado, mas de forma mais responsável e madura, né? Principalmente com ferramentas  de gestão de risco, entendendo, também, a importância de você não concentrar demasiadamente suas aplicações em uma única classe de ativos. Isso também não é um fenômeno novo, né? No mercado de bolsa, que eu acompanho há um pouco mais de tempo, isso já aconteceu pelo menos umas duas ou três vezes na última década. É comum. A gente teve a Bovespa com o número de CPF´s ativos estável por muitos anos consecutivos… Você tinha muita gente entrando, mas também muita gente saindo. E muitas vezes por essa questão de excesso de concentração.

INFOCHAIN: O que você vislumbra daqui pra frente? A regulamentação tende a ser tratada com muito mais afinco nos próximos meses. Qual sua perspectiva?

SAFIRI FELIX: Eu ainda to um pouco reticente. Ainda não tá claro como os fóruns internacionais vão conseguir gerar mecanismos de coordenação entre as várias jurisdições. Já ficou claro que não adianta você ter um determinado nível de regulamentação em algum lugar e em outro lugar as regras serem outras. Você acaba gerando uma assimetria, que acaba fazendo com que o mercado continua ineficiente. Então, eu ainda to um pouco reticente. To preferindo esperar pra ver o que vai ter de declarações por parte das autoridades nos próximos meses. Mas tá claro que é uma oportunidade grande demais pra deixar ela [a regulamentação] solta, do jeito que tava acontecendo até então. Então, eu acredito que a gente tenha perspectiva de ter uma regulação que permita que novos valores de negócio surjam, mas que também traga consigo um arcabouço maior para os investidores.

INFOCHAIN: E esse arcabouço ou esse momento positivo para as criptomoedas deve vir de um ETF norte-americano ou de uma regulamentação aqui no Brasil?

SAFIRI FELIX: Eu acho um ETF é mais uma consequência do que uma causa, pra gente ter um avanço desse tipo. A questão do ETF eu acredito que tem boas chances disso sair esse ano. Uma chance maior no segundo semestre, mas aqui no Brasil a gente já tem alguns instrumentos. Óbvio, com algumas limitações a serem impostas pelas questões da CVM, mas de certa forma já existe ai, algumas alternativas para quem quiser fazer exposição via esse tipo de instrumento.
Aqui no Brasil, eu acho que a principal questão é a forma como a receita federal vai se relacionar com as corretoras, principalmente no sentido de combater a principal preocupação por parte do regulador que é a lavagem de dinheiro e evasão fiscal. Então, existiu uma chamada pública, essa discussão está em voga, e eu acredito que em um curto prazo, essa deve ser a principal mudança no mercado brasileiro.

Assista a seguir a entrevista completa na página do INFOCHAIN no Youtube:

Infochain VIP | Conteúdo Exclusivo em Primeira Mão
Receba em seu e-mail notícias e artigos sobre Blockchain e Criptoeconomia e entenda como essa tecnologia está impactando o mundo.
Não gostamos de spam! E protegeremos seu email como se fossem bitcoins.